NOTÍCIA DO DIA
Nro. 1643 - Ano VII - 12 de Agosto de 2004
Botafogo F.R. e 100 anos de emoção

O dia 12 de agosto de 2004 é de festa para o Botafogo de Futebol e Regatas, que completa cem anos de uma história muito especial dentro do futebol brasileiro. Em 1904, o futebol dava os primeiros passos no Brasil e motivou Flávio Ramos e Emmanuel Sodré, juntos a outros dez adolescentes, a formar um time na esquina da rua Humaitá com o Largo dos Leões. Assim surgiu o Electro Clube, nome que durou até a segunda reunião da turma, em 18 de setembro. O grupo - que contava também com Vicente Cardoso e os irmãos Álvaro e Octávio Werneck - atendeu ao pedido de dona Francisca Teixeira de Oliveira, avó materna de Flávio Ramos, e adotou o Botafogo Football Club.

Na partida de estréia, em 2 de outubro, a equipe perdeu para Football and Athletic Club por 3 a 0. No jogo seguinte, um empate sem gols com o Club Sportivo Internacional abriu caminho para a vitória, no dia 21 de maio de 1905: 1 a 0 sobre o Petropolitano Football Club, gol de Flávio Ramos. A revanche contra Athletic aconteceu em 4 de junho e o Botafogo devolveu a derrota ao superar o adversário por 2 a 1. Ramos e Luiz Vianna fizeram os gols do alvinegro. Mas se o futebol dava seus primeiros passos rumo a várias conquistas, o embrião havia sido lançado dez anos antes, mais precisamente em 1º de julho de 1894, data da fundação do Club de Regatas Botafogo.

Nilton Santos, um exemplo alvinegro

Já carregando o título de "O Glorioso", em virtude da conquista do Campeonato Carioca em 1910, e ostentando o único tetracampeonato estadual (1932/33/34/35), o Botafogo Football Club realizou no dia 8 de dezembro de 1942 a fusão com o Clube de Regatas Botafogo, nascendo assim com o Botafogo de Futebol e Regatas. Ao escudo foi adicionada a "Estrela Solitária" e à história, várias conquistas e ídolos do futebol brasileiro e mundial. Mimi Sodré, Carvalho Leite e Heleno de Freitas deram seqüência ao que foi iniciado por Flávio Ramos, mas em 1948 um jogador chegou ao clube para ocupar lugar de destaque absoluto: Nilton Santos, homenageado como o embaixador do centenário.

Chamado de "Enclopédia do Futebol", por causa de sua categoria e tranqüilidade dentro de campo, e considerado o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos, Nilton Santos é o maior exemplo de amor e dedicação ao clube. Em 16 anos de carreira, vestiu apenas três camisas: a do próprio Botafogo e as das seleções carioca e brasileira. Foram 718 jogos, 11 gols marcados e 15 títulos. Nenhum jogador vestiu mais vezes a camisa do Botafogo. A história se tornaria completa com Garrincha, também responsável direto por um passado de glórias que fez o Botafogo figurar na lista dos 12 maiores clubes do século elaborada pela Fifa, na qual apenas dois outros clubes brasileiros tiveram o privilégio de entrar (Santos e Flamengo).

O genial Garrincha e 'Velho Lobo' Zagallo

A época de ouro levou o Botafogo não apenas a títulos inesquecíveis, como os bicampeonatos estaduais em 1961/62 e 1967/68 e a Taça Brasil em 1968, tornando-se o primeiro time carioca a conquistar um torneio nacional. O período ajudou o alvinegro também a ratificar o posto de celeiro de craques, sendo o clube que mais cedeu jogadores à seleção brasileira em todos os tempos - entre eles Quarentinha, o maior goleador da história do alvinegro, com 308 marcados de 1954 e 1964. Com a camisa do Brasil, foram 17 gols e a injustiça de não ter disputado uma Copa do Mundo.

Apesar de ter tido nove atletas convocados para a Copa de 1934, na Itália, um recorde não superado até hoje, foi em 1962, no Chile, que Garrincha foi mais do que nunca um motivo de orgulho para os botafoguenses. A seu lado estavam Nilton Santos, Didi, Amarildo e Zagallo, mas na ausência de Pelé, que se lesionou no empate em 0 a 0 com a então Tchecoslováquia, na segunda rodada, Garrincha tomou conta do Mundial e levou o Brasil ao bicampeonato. Ao mesmo tempo em que levava seus marcadores à loucura e preparava as jogadas, o atacante foi fundamental como artilheiro e fez gols de cabeça e pé esquerdo, momentos raros em sua carreira.

No Chile também se desenhava a trajetória de outro botafoguense ilustre: Mário Jorge Lobo Zagallo. Único tetracampeão mundial e um dos maiores vencedores na história do futebol, Zagallo foi comprado ao Flamengo em 1958, durante a Copa da Suécia. No Botafogo, disputou 299 jogos, marcou 21 gols e conquistou quatro títulos. Como jogador, uma vez que sua vitoriosa carreira como treinador teve início com o bicampeonato estadual em 1967/68.

O Botafogo em duas décadas de sofrimento

Depois da conquista do estadual em 1968, quando um time comandado por Leônidas, Gérson e Jairzinho levantou a taça depois de golear o Vasco por 4 a 0, nem o mais pessimista dos torcedores poderia imaginar um hiato de 21 anos sem título. De maneira sintomática, o período marcou também a venda da sede de General Severiano para a Companhia Vale do Rio Doce, durante o mandato de Charles Borer. Assim, o clube saiu de seu berço na Zona Sul e se mudou para o subúrbio de Marechal Hermes.

A volta à casa aconteceu apenas em 1993, mas antes disso o Botafogo reencontrou o caminho das conquistas. Em 1988, época em que Althemar Dutra de Castilho era o presidente, o bicheiro Emil Pinheiro chegou como mecenas e montou a base do time bicampeão carioca em 1989/90. O fim do jejum, com a vitória por 1 a 0 sobre o Flamengo, no dia 21 de junho de 1989, é inegavelmente um dos momentos mais emocionantes na história alvinegra. O título invicto gerou ídolos instantâneos como Maurício, Wilson Gottardo, Mauro Galvão e Paulinho Criciúma.

'Há coisas que só acontecem ao Botafogo'

A perda do título do Campeonato Brasileiro para o Flamengo em 1992 encerrou a passagem de Emil Pinheiro, que assumira a presidência do Botafogo no ano anterior. Mesmo com um time desmantelado e a obrigação de aproveitar vários jogadores dos juniores, em 1993 o alvinegro conquistou seu primeiro título internacional na edição de estréia da Copa Conmebol. Comandado por Carlos Alberto Torres, uma equipe jovem superou o Peñarol na final no Maracanã, mas não sem uma dose de sofrimento. Vencendo por 2 a 1 até os 45 minutos do segundo tempo, o alvinegro permitiu o empate e só levantou a taça ao levar a melhor na disputa de pênaltis.

Em 1994, Carlos Augusto Montenegro deu início aos trabalhos que resultariam no título mais importante da história do Botafogo: o Campeonato Brasileiro de 1995. Sob o comando técnico de Paulo Autuori, o time tinha como estrelas o goleiro Wagner, os zagueiros Gonçalves e Wilson Gottardo, o meia Sérgio Manoel e o atacante Donizete, mas ninguém brilhou mais do que Túlio. Artilheiro da competição (pela terceira vez) e último grande ídolo alvinegro, ele foi o grande responsável pelo crescimento da torcida botafoguense da metade da década de 90 para frente.

Independentemente do fiasco da equipe na Libertadores em 1996 e de não ter participado da campanha do título estadual no ano seguinte, Túlio tem participação direta no resultado de uma pesquisa feita pela Ibope em 1997 - e publicado pela coluna Panorama Esportivo, de O Globo, no dia 16 de agosto. Com um significativo avanço na faixa etária dos dez aos 15 anos, mais precisamente nas classes A e B, o Botafogo ultrapassou o Fluminense pela primeira vez e tornou-se a terceira maior torcida do Rio de Janeiro.

O tetracampeonato do Torneio Rio-São Paulo, em 1998, acabou iniciando um ciclo de maus momentos que culminou com a queda à segunda divisão nacional em 2002. No intervalo, a decepção pela perda da Copa do Brasil em 1999, diante de cem mil torcedores no Maracanã, e a pífia campanha no Campeonato Brasileiro do mesmo ano, quando o rebaixamento mostrou que já estava batendo às portas do clube. Tudo sob o comando dos ex-presidentes José Luiz Rolim e Mauro Ney Palmeiro.

Um centenário diferente

Ao contrário dos outros três grandes clubes do Rio de Janeiro, o Botafogo não montou um supertime visando a um sonho em comum dos cariocas no ano do centenário: a conquista do Mundial Interclubes. E nem poderia. Ao assumir a presidência do alvinegro em 2003, Bebeto de Freitas pegou um time na Série B do Brasileiro e um clube em processo de falência, resultado de uma seqüência de administrações desastrosas ao longo dos anos. Ao mesmo tempo em que havia o desafio de tirar o alvinegro da segunda divisão, era necessário reestruturar o clube visando ao futuro.

Comandado por Levir Culpi e tendo como símbolos o capitão Sandro e o veterano Valdo, o Botafogo conquistou em campo o direito de voltar à elite do futebol brasileiro no ano de seu centenário. Mais do que isso, fez do torcedor um parceiro, com a campanha "Botafogo no Coração", e assim pôde reformar e ampliar o estádio Caio Martins e construir o Centro de Treinamentos João Saldanha, em General Severiano. A construção de um estádio próprio é mais um capítulo do livro que promete deixar o Botafogo com um lugar de destaque entre os grandes do futebol brasileiro, dentro e fora do campo.

Em dia de festa, Botafogo recebe o Atlético-PR

Noite de festa nesta quinta-feira no Caio Martins. No dia em que completa cem anos, o Botafogo recebe o Atlético-PR, às 20h30m, com a expectativa de comemorar o aniversário com a fuga da zona de rebaixamento na última rodada do primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Com 21 pontos conquistados, o alvinegro ocupa a 22ª colocação e uma vitória o tira das quatro últimas colocações, uma vez que o Paysandu perdeu para o Juventude.

Para a partida contra um adversário motivado - o rubro-negro paranaense está em quarto lugar com 37 pontos, um a menos que os líderes Santos, Ponte Preta e São Paulo - o técnico do Botafogo, Mauro Galvão, tem alguns problemas. Suspenso com três cartões amarelos, Ruy dá lugar a Rodrigo Fernandes na lateral direita. Além disso, o zagueiro Scheidt ainda se recupera de uma pancada no pé direito e foi vetado.

Rafael Marques, substituto imediato de Scheidt, reclamara de dores musculares no início da semana, mas foi reavaliado e liberado para a partida. No ataque, Luizão continua fora, recuperando-se de uma contusão no joelho direito operado há pouco mais de três semanas, e Raúl Estevez ainda sente dores na coxa esquerda e não entrará em campo. Apesar de o exame de ressonância magnética nao ter acusado nenhum tipo de lesão, o argentino será poupado. Almir e Schwenck formam a dupla de ataque.

A boa notícia ficou por conta do retorno de Túlio, que voltou aos treinos na terça-feira. O cabeça-de-área sofreu a lesão muscular na coxa direita no empate sem gols com o Flamengo, no dia 28 de julho, e a previsão de volta era de três semanas, mas sua recuperação surpreendeu a todos. Galvão, no entanto, irá decidir momentos antes da partida se promove o retorno do titular ou mantém Carlos Alberto no meio-campo.

Levir Culpi é o trunfo do time paranaense

No Atlético-PR, Levir Culpi não tem problemas de jogadores suspensos ou entregues ao departamento médico - a exceção é marinho, submetido a uma artroscopia no joelho direito nesta terça-feira, mas o zagueiro já estava fora da equipe. Assim, o treinador manda a campo a equipe que derrotou o Vasco por 2 a 0, domingo, na Arena da Baixada.

O grande trunfo do Furacão, no entanto, está mesmo no banco, uma vez que Levir conhece bem o Botafogo. Ele comandou o time em 2003, levando o alvinegro de volta à elite do futebol brasileiro, e pediu demissão depois da derrota para o Santos, na segunda rodada do Brasileiro. Depois da má campanha no Campeonato Carioca e da eliminação precoce na Copa do Brasil, o técnico não resistiu.

Botafogo x Atlético-PR
Local: Caio Martins, em Niterói (RJ)
Data: 12/08 (quinta-feira)
Horário: 20h30m
Árbitro: Clever Assunção Gonçalves (MG), auxiliado por Alexandre Santos Conceição (MG) e Helberth Costa Andrade (MG)

Botafogo: Jefferson, Rodrigo Fernandes, Gustavo, Rafael Marques e Renatinho; Túlio (Carlos Alberto), Fernando, Elvis e Valdo; Almir e Schwenck. Técnico: Mauro Galvão

Atlético-PR: Diego, Fabiano, Rogério Corrêa e Marcão; Fernandinho, Alan Bahia, Pingo, Jadson e Ivan; Dagoberto e Washington. Técnico: Levir Culpi


Fonte: O Globo

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