Segredo de Joel Santana, Caio entra em campo para classificar o Glorioso
Confetes e serpentinas alvinegras, pois a folia do Botafogo não tem hora para acabar. No Maracanã, o Glorioso venceu o Flamengo por 2 a 1, de virada e está na final da Taça Guanabara. Para o Rubro-Negro, até então favorito, sobrou apenas a ressaca da Quarta-Feira de Cinzas. Pelo segundo ano consecutivo, o clube foi eliminado nas semifinais do turno.
Agora o Botafogo enfrenta o Vasco na final da competição, próximo domingo, às 16h (de Brasília), também no Maraca.
FUTEBOL NOTA 10, MAS ARBITRAGEM ATRAVESSA
Embaladas, as duas equipes pareciam estar inspiradas no samba da Grande Rio, vice-campeã do Carnaval do Rio, que diz "não demora / a minha energia vai contagiar" e começaram o clássico a todo vapor. Logo no primeiro minuto, Marcelo Cordeiro lançou Herrera, que matou no peito e chutou forte, mas Bruno afastou o perigo. Em seguida, foi a vez do Rubro-Negro. Vinícius Pacheco partiu do meio após lindo drible de corpo, avançou, mas mirou no centro, para defesa de Jefferson. Outro que apresentou perigo foi Adriano, aniversariante do dia. Parabenizado pela torcida, o Imperador chamou a responsabilidade para si. Bateu faltas, arriscou cabeçada e correu com determinação, para desespero da defesa alvinegra.
Muito movimentada, a partida transbordava em emoção, mas ainda precisava de um gol. Em meio ao ritmo forte, o Flamengo seguiu a batida da Beija-Flor em "segue a missão a caravana em jornada" e dominou de forma suficiente a abrir o placar. Aos 25 minutos, Adriano entregou para Vinicius Pacheco, que mandou um balaço para o fundo das redes. Jefferson ainda tentou, mas o Fla converteu sua superioridade.
Entretanto, o Glorioso não deixou se abater e como na letra da Imperatriz Leopoldinense, "traz confiança ao caminhar". Na pressão, Loco Abreu ganhou no alto de dois zagueiros e serviu Herrera, guerreiro até a bola cair nos pés de Marcelo Cordeiro, que finalizou com força, sem chances para Bruno, aos 33 minutos.
Tudo igual no marcador e eis que então o árbitro decidiu aparecer. No clima carnavalesco, Luis Antônio Silva dos Santos lembrou o bobo e atrapalhado, protagonizou uma grande confusão. Fahel, que já tinha cartão amarelo, realizou falta branda e foi expulso. Incrivelmente, os jogadores do Botafogo reclamaram do excesso de rigor e apontaram para Fábio Ferreira, que recebeu a punição de Luis Antônio em nome de seu companheiro e o livrou do chuveiro.
De volta ao futebol, o Fogão quase conseguiu a virada ainda nos 45 iniciais. Na tentativa de cruzamento, principal arma do time, Antônio Carlos encobriu Bruno, mas a bola caprichosamente bateu na trave e caiu por trás da meta.
SEGREDO QUE VALE VAGA
A segunda etapa iniciou cadenciada, mas acelerou na empolgação da galera. Aos dez minutos, Vagner Love recebeu bola aérea na pequena área e cabeceou a bola no travessão de Jefferson, que escorregou e não saiu para cortar a jogada. Daí, o Flamengo pressionou e o Botafogo se livrou de qualquer jeito. Na raça, o Glorioso segurou o ímpeto do Mengão, principalmente pelos pés de Herrera, o principal alvo dos chutões vindos da zaga.
Se no quesito comissão de frente as duas equipes não agradavam, todo mundo ajudava um pouco em busca da vitória. Pelo lado alvinegro, a principal arma era Marcelo Cordeiro e pelas bandas da Gávea, Willians quase deixou o seu guardado.
"É segredo, não conto a ninguém". A fórmula de sucesso da Unidos da Tijuca na Marquês de Sapucaí também apareceu no Maracanã, mas de forma não tão escondida. Petkovic teve o nome cantado pela massa, que não guardou a surpresa e convenceu Andrade. Já no Bota, o segredo maior era o talismã Caio, que entrou no lugar de Lucio Flavio.
O desfile caminhava para o término, mas o grande final ainda estava por vir. A dobradinha samba e futebol funcionou, mais uma vez. O enigma precioso era Caio que aos 37 minutos, brigou na área e empurrou a bola para a apoteose. Apresentação impecável e festa no bloco de General Severiano.
FICHA TÉCNICA:
FLAMENGO 1 X 2 BOTAFOGO
Estádio: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Data/hora: 17/2/2010 - 21h50 (de Brasília)
Árbitro: Luis Antônio Silva dos Santos (RJ)
Auxiliares: Ediney Guerreiro Mascarenhas (RJ) e Marco Aurelio dos Santos Pessanha (RJ)
Renda/público: R$ 1.161.590,00 / 32.729 pagantes
Cartões amarelos: Toró, Álvaro (FLA); Fahel, Fábio Ferreira, Loco Abreu, Herrera, Alessandro, Marcelo Cordeiro (BOT)
GOLS: Vinícius Pacheco, 25'/1ºT (1-0); Marcelo Cordeiro, 33'/1ºT (1-1); Caio, 37'/2ºT (1-2);
FLAMENGO: Bruno, Leonardo Moura, Álvaro, Ronaldo Angelim e Juan; Willians, Toró (Bruno Mezenga, 44'/2ºT), Kleberson (Fierro, 40'/2ºT) e Vinícius Pacheco (Petkovic, 27'/2ºT); Vagner Love e Adriano. Técnico: Andrade.
BOTAFOGO: Jefferson, Antônio Carlos, Fahel (Wellington, intervalo) e Fábio Ferreira; Alessandro, Leandro Guerreiro, Eduardo, Lucio Flavio (Caio, 26'/2ºT) e Marcelo Cordeiro; Herrera (Renato, 39'/2ºT) e Loco Abreu. Técnico: Joel Santana.